Você já deve ter ouvido falar desse filme. Se não ouviu, deveria. A Queda! retrata os últimos dias de vida de Hitler e mais do que isso, nos mostra como as coisas funcionavam na corte nazista. A começar pela famosa saudação, todos cumprimentavam o Führer (imperador) com o maldito "Hail Hitler!" com as mãos erguidas. A impressão que se tem é de regressão ao século XVIII e da adoração ao rei. A questão central dos últimos dias de Hitler é sua permanência ou fuga de Berlim, que está cercada e sob ataque do exército russo. Mesmo com a guerra perdida, a toda hora novas estratégias e operações são traçados por Hitler, que abomina a idéia de se render. O filme é em parte protagonizado pela última secretária de Hitler, Traudl Junge, mas não é essa a impressão que se tem depois que ele termina. O protagonista aqui é o ditador. A secretária de Hitler serve mais para ilustrar como se sentia boa parte dos alemães médios em relação à loucura do Holocausto e aos ideais nazistas. Depois do filme, a Sra. Junge real dá um depoimento no qual afirma que na época desconhecia que tantos judeus foram mortos e que foi atraída pela curiosidade a trabalhar para Hitler. O ator Bruno Ganz faz o papel de Hitler, e não há outras palavra para descrever: está perfeito. Incrivelmente natural, Bruno dá vida plena a todos os aspectos do ditador. Umas das coisas que me passou pela cabeça, a respeito da impressão que fica de Hitler, é que por incrível pareça, ele é bastante infantil. A cada cena em que um general comunica o avanço das tropas russas, Hitler expressa sua raiva como uma criançona. É essa a impressão em todos os momentos em que ele se encontra contrariado. É difícil entender como tanta gente entrou na dele. Ainda a respeito da atuação de Bruno, ele consegue mudar seu rosto de maneira impressionante. Em alguns momentos, Hitler não passa de um velho cansado e doente e quando está com raiva parece um moleque a espernear (a cena em que ele manda um subalterno chamar um general é prova disso). Vemos Hitler escolhendo sua secretária, condecorando soldados, segurando crianças e agradecendo cozinheiras, e isso é a "humanização" que tantos críticos dizem. Mas Hitler é isso aí, um humano, não dá pra ser o demônio 24h por dia. Outro aspecto importante é a idéia que Hitler faz do povo. Nada de "o que vocês são, o são através de mim, e o que eu sou, sou através de vocês", como ele já disse antes. Quando o calo apertou, Hitler (e outros militares) desdenhava do povo dizendo que "eles estão sendo castigados pelo que escolheram". Se a Alemanha estava destruída a culpa era, adivinhe? Do povo. Não é de se admirar um pensamento desses, quando pais nazistas vendo que o "Nacional Socialismo" ia cair, não pensam duas vezes antes de matarem seus próprios ... (cole seu pensamento aqui). A Queda! Serve para principalmente conhecer a alta cúpula do governo nazista e ver de perto Hitler. Um filme que em momento nenhum toma partido dos ideais nazistas apesar de o foco estar o tempo todo no mundo que girava em torno de Hitler. Escrito por: Pedro Carlos Leite
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Um bom DVD rodando, sofá e um balde de pipoca. Uma ideia na cabeça, a ajuda de três amigos (monitor, teclado e mouse) e aqui temos a coluna Videolocadora, uma mão na hora de escolher o que pegar naquelas prateleiras cheias de filmes. O Labirinto do Fauno é uma superprodução espanhola dirigida por Guillermo Del Toro que expõe um contraste tenebroso entre fantasia e realidade. O filme se passa na Espanha de 1944 e conta a história de Ofelia, uma menina de treze anos que vai para o campo acompanhada da mãe, que está grávida de um capitão do governo de Franco. O capitão foi deslocado para lá a fim de reprimir a ação de guerrilheiros opostos à ditadura. Solitária e sonhadora num ambiente de tensão e tristeza, Ofelia adora livros de contos de fada e é a toda hora puxada à realidade pela mãe, que resignada, aceita sua condição de esposa de um marido truculento. "Você já está grande pra ler contos de fadas Ofelia. Logo você vai crescer e descobrir que a vida é dura e sem esperança". Acontece que um dia a garota recebe a visita de uma fada que a guia ao velho labirinto onde vive o Fauno - uma criatura mágica de um reino subterrâneo que revela à menina que ela é uma princesa que há muito tempo fugiu para conhecer o mundo dos homens. Para retornar ao seu mundo, Ofelia deve passar por três provas antes da lua cheia. A beleza do filme nas cenas em que Ofelia cumpre suas tarefas é muito grande, com um colorido vivo ao mesmo tempo em que nas provas coisas grotescas acontecem. Simultaneamente, se desenrola a trama da caçada do exército espanhol aos guerrilheiros e aqui há tudo o que um filme de guerra geralmente mostra, morte, tortura, crueldade, brutalidade e arrogância. O capitão é terrivelmente cruel e desagradável. É difícil dizer se a trama da guerrilha ocorre paralela à de fantasia ou se a de fantasia é paralela à da guerrilha. As duas história ocupam praticamente o mesmo espaço. É interessante notar que tanto no plano real quanto no da fantasia os acontecimentos não são felizes e a aventura de Ofelia está longe de ser um Alice no País das Maravilhas. Ela erra, e seus erros acabam causando a morte de inocentes. Embora o nome e o jeitinho da arte da capa, o filme NÃO é para crianças! Há muita violência aqui, embora seja colocada em contexto e colabore (assim como os erros e negligências de Ofelia) para a sensação de realidade e "pé no chão". CURIOSIDADES O Fauno e a assustadora criatura-de-olhos-nas-mãos-devoradora-de-criancinhas, o Homem Pálido, são interpretadas pelo mesmo ator. E as horas que ele esperou para que fossem colocadas ambas as roupas todas as vezes são incontáveis. A maquiagem desses dois personagens é sensacional. Não deixe de assistir a todo o making off, lá é explicado todo o processo de maquiagem do Homem Pálido e do Fauno, além de entrevistas, esclarecimentos, curiosidades e afins. Um making of excelente. Escrito por: Pedro Carlos Leite
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Nesta semana começou mais um Big Brother Brasil. Será que as 100 mil mortes do terremoto do Haiti e a perda de Zilda Arns vão conseguir ser maiores do que o beijo gay de Sérgio e Dicesar?
Lembro que quando começou a primeira edição, em 2002, o Big Brother parecia ser uma grande idéia. Na época era moda brasileiro aprender a palavra reality show. Uau! Era um reality show! Então isso que é? Colocar 12 anônimos que não se conhecem numa casa cheia de mordomias, isolados do mundo, era apelar para o comportamento humano natural como atração. “Ok, chega de novelas, filmes, cantores e desenhos animados. Vamos colocar gente do povo na TV sendo só eles mesmos pra ver o que acontece”. Hum, vamos ver no que dá.
Hoje sabemos que o BBB não é assim. Não tem “gente do povo” lá. Salvo exceções, parece uma seleção de gente de catálogo de cueca e lingerie. Resumindo: Gostosas X Gostosões. Coloque algumas exceções como gente de meia idade, gente simples e homossexuais. Ah, homossexuais!
A Globo aposta em três deles para esquentar a atenção do Brasil. Já avisaram que se tivesse beijo gay, iriam mostrar. Ninguém se engane. O Big Brother não é uma experiência psicológica. É um circo com bundas pra todo lado, gente se pegando, merchandising, festas, intrigas, e Pedro Bial testando os limites do suportável com sua pieguice.
Estou ficando assustando. Estou até agora falando do BBB. Não existe outra atração televisiva tão repercutida pela imprensa brasileira, em todos os veículos. É uma legítima febre nacional, não importa para onde se vá, se você assista ou não, quando chega a época do Big Brother ele é assunto em tudo. E já faz 9 anos!
Acaba a novela e vai todo mundo ver a galera da casa. E leva de brinde sabão em pó, guaraná, carro, moto, e eletrodomésticos goela abaixo.
Hã, quem é essa Zilda Arns mesmo?
Escrito por: Pedro Carlos Leite
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
O ano terminou e outro veio na esteira de uma polêmica: Bóris Casoy xingando os garis. Foi com desconcertante espanto que a famigerada “família brasileira” presenciou o escárnio do apresentador: “que merda - dois garis desejando felicidades do alto de suas vassouras... o mais baixo na escala do trabalho”. Pensamento alto? As orelhas do Brasil estão ardendo até agora.
O episódio é um triste - mas bem triste mesmo – exemplo do que não deve acontecer na carreira de um jornalista. Ainda mais de televisão. Ainda mais apresentador. Pior ainda, um âncora. E que vive no imaginário popular com “Isto é um vergonha!”. Ai, ai, difícil pensar numa tragédia pior.
Apresentador de jornal de alcance nacional tem que zelar pela empatia, em se comunicar bem com todo tipo de público. Ricos, pobres, aposentados, donas de casa... o telespectador do Bóris é bem por aí. Quem não conhece ele? É um dos poucos agentes da TV que minha vó deve se lembrar. Assim como meu pai, minhas tias, vizinho, enfim, todo mundo.
E se eu te pedir uma classe trabalhadora popular, de gente simples, provavelmente você vai falar dos garis. Eles sempre são citados como exemplo de simplicidade, humildade. E também de dignidade de gente íntegra. Bóris Casoy pisou na bola. Mas o que pode acontecer?
Acontecimentos de começo de ano costumam ter vida curta na memória. Quantos anos não começaram igual a 2010 com notícias sobre chuvas, enchentes, deslizamentos? O caso do Casoy vai ser soterrado pelo movimento do cotidiano. Depois da ressaca do Carnaval, poucos se lembrarão da escorregada do jornalista, certeza.
Mas a internet está aí. Indiferente e impiedosa, é uma grande prateleira com todas as situações bizarras que os famosos volta e meia passam. Basta dar um googlada para ver Fernando Vanucci bêbado no ar, Luciano do Valle trocando o nome da emissora, Vanusa viajando no Hino Nacional, William Bonner imitando o Clodovil, Daniela Cicarelli brincando na praia.... Ah, tudo registrado em áudio e cores, sabe-se lá por quanto tempo.
E agora tem o Bóris Casoy xingando os garis.

